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Posts by avalobot (@avalobot.bsky.social)

— O que aterra no rosto fosforescente do Iólipo é ser quase sempre invisível.

06.03.2026 06:00 — 👍 0    🔁 0    💬 0    📌 0

Respira fundo e rápido, descomposta, os peitos livres acentuando a agitação com que sorve o ar pelas narinas e também pela boca.

06.03.2026 05:00 — 👍 0    🔁 0    💬 0    📌 0

Há agora no seu peito, furando o couro, um bico. Um bico adunco, como se uma ave de presa, embutida no cão, tentasse dilacerá-lo, e sair

06.03.2026 04:00 — 👍 0    🔁 0    💬 0    📌 0

O vocabulário precioso torna a frase impessoal.

06.03.2026 03:00 — 👍 0    🔁 0    💬 0    📌 0

Hermelinda e Hermenilda, assim nos chamam.

06.03.2026 02:00 — 👍 0    🔁 0    💬 0    📌 0

Pela centésima vez, Hayano rompe o silêncio e me pergunta: "Por quê?". Para ele, tudo tem causa, por força. Pela centésima vez deixo de responder e o silêncio instala-se novamente entre nós.

06.03.2026 01:00 — 👍 0    🔁 0    💬 0    📌 0

Trespassados pelo corpo de Natividade os corpos parecem engrenagens malignas, dilaceram o couro crestado dos beiços, furam os olhos cegos, rasgam a casca de rugas e descobrem — mas sem dentes, e também cortam fundo — a cara da menina negra que, iludida, canta no algodoal.

06.03.2026 00:00 — 👍 0    🔁 0    💬 0    📌 0

Caio com a boca na areia e antes que inicie um gesto fazem-me rolar com pontapés à altura dos rins.

05.03.2026 23:00 — 👍 0    🔁 0    💬 0    📌 0

O verdadeiro motivo da viagem encontra a sua justificação num inflexível jogo de alternâncias.

05.03.2026 22:00 — 👍 0    🔁 0    💬 0    📌 0

Não me movo e continuo despido, embora esfriasse com a madrugada e rápidos golpes de vento façam gemer a aldrava da janela.

05.03.2026 21:00 — 👍 0    🔁 0    💬 0    📌 0

Leões?

05.03.2026 20:00 — 👍 0    🔁 0    💬 0    📌 0

Um favo que se rompe, um figo muito doce que se abre — e o mel escorre-me entre as coxas.

05.03.2026 19:00 — 👍 0    🔁 0    💬 0    📌 0

Eu te amo, com garras e com dentes, ama-me. Vem a penúria? A desolação dos tempos? Vem o apocalipse? As bestas flageladoras? Venham. Estamos enlaçados. Vivos estamos. Amamos. Garras e dentes.

05.03.2026 18:00 — 👍 2    🔁 0    💬 0    📌 0

Amada: quando incontáveis seres conhece e cruza o homem sem que seu próprio ser se amplie, avance e alcance, tu me conduzes (para onde, para onde?) e não casualmente rondamos nós os limites deste bosque no qual perpassam aparições.

05.03.2026 17:00 — 👍 0    🔁 0    💬 0    📌 0

Logo ele a verá de um modo novo, vária e múltipla, habitada na carne por visões ou corpos — e sob reverberações, como aclarada pelo Sol rebatido em mil facas oscilantes.

05.03.2026 16:00 — 👍 0    🔁 0    💬 0    📌 0

Sob a Cidade há outras.

05.03.2026 15:00 — 👍 0    🔁 0    💬 0    📌 0

Gatos passeiam no alpendre.

05.03.2026 14:00 — 👍 0    🔁 0    💬 0    📌 0

Ejaculo meu ódio, meus testículos soluçam, choro pelo pênis, ouço-o gemer.

05.03.2026 13:00 — 👍 1    🔁 0    💬 0    📌 0

Tudo, passado o relâmpago, é cinza e fogo extinto, tudo que não seu corpo: nele — um dom, um estado, um merecimento — perdura este brilho precioso e réstias latejam no espessor da carne.

05.03.2026 12:00 — 👍 0    🔁 0    💬 0    📌 0

a minha voz é uma voz de condenado, boca contra boca lançamos sem governo gritos e gemidos e palavras cortadas meu amor que maravi eu te e ovelhas e cães se enlaçam em nossas bocas e gazelas e leões revoam mariposas também em nós heliantos florescem

05.03.2026 11:00 — 👍 0    🔁 0    💬 0    📌 0

Ama-se o que em quem se ama? O que, em quem amamos, faz com que o amor se manifeste? O ser (visível) ou sua história, que ouvimos?

05.03.2026 10:00 — 👍 0    🔁 0    💬 0    📌 0

Não agiríamos, porém, com tanta precisão, se realmente nada soubéssemos do que nos cumpre e cabe.

05.03.2026 09:00 — 👍 1    🔁 0    💬 0    📌 0

Roos prolonga a conversa trivial e dá sinais — discretos, embora — de que rever-me não a aflige.

05.03.2026 08:00 — 👍 0    🔁 0    💬 0    📌 0

As representações são sempre enigmáticas, alusivas, fracionárias e quase nunca contempladas na sua totalidade.

05.03.2026 07:00 — 👍 0    🔁 0    💬 0    📌 0

Cecília continua de pé à minha frente, o peso do corpo repousando sobre a perna esquerda, dominando os leões, sob o luar.

05.03.2026 06:00 — 👍 0    🔁 0    💬 0    📌 0

Cecília vê primeiro: "Olhe, Abel, o cavalo vem só, puxando o cabriolé".

05.03.2026 05:00 — 👍 0    🔁 0    💬 0    📌 0

Minha cabeça nos rios azuis de Roos. Sorvo a tepidez das suas coxas, vejo o sol no alto e o seu belo rosto entre ramagens, fito-a, sinto-a, ouço-a, e com fruir estes favores me movo desdobrado em rios numerosos.

05.03.2026 04:00 — 👍 0    🔁 0    💬 0    📌 0

Em todas as paredes, janelas abertas, e as janelas olham para outras salas rodeadas de janelas através das quais veem-se as janelas de novas e estranhas salas, e tão numerosas são as salas que cada uma é o centro das demais.

05.03.2026 03:00 — 👍 0    🔁 0    💬 0    📌 0

Como se eu fosse uma escultura de areia fina e cada grão uma voz, uma palavra e suas danações.

05.03.2026 02:00 — 👍 0    🔁 0    💬 0    📌 0

Vejo-me sob os seus ombros e: o que está calcinado, o emperrado, o silente, o seco, o sombrio, verdeja, move-se, responde, jorra, esplende, sem o frescor — é certo — das coisas novas e ainda não ofendidas.

05.03.2026 01:00 — 👍 0    🔁 0    💬 0    📌 0