Quando a gente fala em crítica honesta, é disto que estamos falando:
23.01.2026 03:34 — 👍 3 🔁 1 💬 0 📌 0@hecodex.bsky.social
Historiador. Professor do Departamento de História da UNIFAL-MG. Estudos críticos de patrimônio, historiografia e Antropoceno. Opiniões pessoais.
Quando a gente fala em crítica honesta, é disto que estamos falando:
23.01.2026 03:34 — 👍 3 🔁 1 💬 0 📌 0Isso, Roque, exatamente isso! O Barros transformou "contracolonialidade" em "contracolonialismo" no texto! Também não vejo na obra do Bispo pretensões de organização de um movimento como o prefixo sugere. Esse neologismo, em particular, não pode ser colocado na conta do Bispo.
22.01.2026 19:37 — 👍 1 🔁 0 💬 0 📌 0Reproduzi no Substack o texto do fio que publiquei aqui mais cedo, para facilitar a leitura. Corrigi alguns errinhos e incluí um PS.
22.01.2026 19:09 — 👍 3 🔁 3 💬 0 📌 0Isso aqui foi quase abjeto
22.01.2026 18:47 — 👍 10 🔁 1 💬 0 📌 0Muito agradecido por suas palavras. Eu tenho muito desacordo com bispo, mas o conheci em caminhadas de diálogos com outros povos, numa postura de conhecer outros, outras e desafiar estes à luta contra o colonialismo. Era para isso que escrevia. Para que escreve Barros?
22.01.2026 18:51 — 👍 8 🔁 1 💬 0 📌 0Boa leitura pessoal. Espero que ajude. Chega de interpretação preguiçosa de perspectivas teóricas alheias.
22.01.2026 18:51 — 👍 14 🔁 1 💬 0 📌 0Vale a pena ler esse fio a respeito do texto de Barros no blog da @boitempo.bsky.social sobre o Antônio Bispo
22.01.2026 17:04 — 👍 2 🔁 1 💬 1 📌 0@boitempo.bsky.social
22.01.2026 16:23 — 👍 0 🔁 0 💬 0 📌 0seus intérpretes, bastante colonizador também.
22.01.2026 15:25 — 👍 6 🔁 0 💬 0 📌 0que não a sua própria como inferiores. Aqui Barros incorre, ele próprio, em uma redução ontológica do outro que garante a ocupação de territórios acadêmicos e midiáticos por sua própria comunidade. Em um sentido bastante específico, portanto, o próprio marxismo pode ser, a depender de +
22.01.2026 15:25 — 👍 8 🔁 0 💬 1 📌 0"3. a sustentação mítico-religiosa de sua 'oralidade”. Sem contar que, novamente, quem separa "cosmovisão" de "necessidades materiais" é o próprio Barros, reduzir cosmovisão a religiosidade e misticismo é uma forma arrogante (para não dizer outra coisa), de julgar as tradições de raciocínios +
22.01.2026 15:25 — 👍 6 🔁 0 💬 1 📌 0Parênteses: não haveria nessa postura, como se manifestou um amigo cuja reflexão respeito muito, uma certa "espiral disciplinadora", no mínimo desrespeitosa, de um certo marxismo situado? +
22.01.2026 15:25 — 👍 7 🔁 0 💬 1 📌 0Enfim, parece que Barros deseja fazer de Bispo um anti-Marx quando ele nunca se arrogou a responsabilidade de uma luta que não fosse a defesa de sua própria comunidade! Francamente, não sei se ele está errado ao se colocar nesse lugar mais sossegado. +
22.01.2026 15:25 — 👍 7 🔁 0 💬 1 📌 0o estabelecimento de alianças estratégicas, com outras comunidades, como a própria tribo dos marxistas (pela qual, reafirmo, nutro algumas simpatias e algumas preguiças). Para mim, MST, Teia dos Povos, EZLN e várias outras experiências são exemplos históricos dessas confluências. +
22.01.2026 15:25 — 👍 6 🔁 0 💬 1 📌 0Outro equívoco: Bispo não prega a emancipação da humanidade por meio do "contracolonialismo" (termo que Barros francamente inventa). Trata-se apenas de afirmar o valor de um modo de vida que se opõe, na medida do possível, à mercantilização, à racialização etc. Isso não impede, no entanto, +
22.01.2026 15:25 — 👍 4 🔁 0 💬 2 📌 0"2. a homogeneização da experiência colonial, que hipostasia o conceito de raça". Aqui o problema é simples. Barros vê "homogeneização" onde Bispo fala em "confluências afropindorâmicas". Basta compreender melhor o conceito de confluência para não incorrer nesse equívoco interpretativo. +
22.01.2026 15:25 — 👍 6 🔁 0 💬 1 📌 0tenha exercido a violência colonial. Esse ponto demandaria maior elaboração, mas deixarei isso para um ensaio futuro que estou organizando neste momento. +
22.01.2026 15:25 — 👍 3 🔁 0 💬 1 📌 0Não que eu discorde da interpretação marxiana sobre o capitalismo, muito pelo contrário. Uma exemplo de sua importância é a sua proximidade com a interpretação que David Kopenawa faz sobre a mineração. Mas ainda não estou convencido de que o capitalismo seja a única forma por meio da qual se +
22.01.2026 15:25 — 👍 4 🔁 0 💬 1 📌 0Barros está correto, no entanto, ao afirmar que não se pode ter acesso automático a uma perspectiva cosmológica apenas por se ter vivido em um território. Mas aqui precisamos voltar a nos questionar se é apenas por meio da tradição intelectual marxista que se obtém um acesso privilegiado ao real. +
22.01.2026 15:25 — 👍 8 🔁 0 💬 1 📌 0que talvez desconheça. Seria importante levar em conta aqui a obra de autores(as) africanos(as), por exemplo, sobre as sociedades da oralidade. É muito fácil e confortável se desfazer de tudo que não seja marxista o suficiente. Isso sim parece uma mitificação edenista de um intelectual europeu. +
22.01.2026 15:25 — 👍 9 🔁 0 💬 1 📌 0Além disso, considero muito problemático desqualificar o pensamento (que o autor discrimina sarcasticamente grafando-o entre aspas) e o conhecimento da oralidade como "mítico", "essencialista" ou "romantizado". Aqui é preciso dizer que Barros despreza de forma arrogante um amplo debate +
22.01.2026 15:25 — 👍 9 🔁 0 💬 1 📌 1contrário, justamente um corretivo a isso, pois situa a violência contra a qual ele se situa no início da colonização. Identificar uma continuidade histórica, ainda que com suas diferentes atualizações, é muito diferente de produzir uma afirmação a-histórica. +
22.01.2026 15:25 — 👍 4 🔁 0 💬 1 📌 0Barros divide suas críticas em "três linhas" que, a meu ver, não se sustentam. Vejamos cada uma delas:
"1. a ideia de uma luta a-histórica entre cosmologias". Há, de fato, muita a-historicização no debate sobre pluralismo ontológico acerca do Antropoceno. No entanto, o pensamento de Bispo é, pelo +
são tornados disponíveis (até que haja resistência) para fins violentos que não só a acumulação capitalista, embora, historicamente, esse tenha sido um motivo muito importante, se não prioritário. +
22.01.2026 15:25 — 👍 4 🔁 0 💬 1 📌 0diretamente na destruição de ecologias por autorizar, da forma como feito, a subjugação de corpos racializados e de paisagens. Aqui é importante destacar que o outro pode ser rebaixado ontologicamente seja como infiel, como recurso econômico ou como raça inferior. Em todos eles, esses corpos +
22.01.2026 15:25 — 👍 6 🔁 0 💬 1 📌 0sobre a qualidade dos seres também influi no mundo concreto a partir de condições materiais preexistentes. Por que interromper a análise dialética quando ela também deveria se deter à materialidade dos discursos? Para talvez ficar mais claro: o que o colonizador disse sobre Deus impactou +
22.01.2026 15:25 — 👍 5 🔁 0 💬 1 📌 0Barros critica essa perspectiva intelectual como "inversão idealista", para a qual é uma teoria do conhecimento que produz o mundo material, e não o contrário. Em primeiro lugar, talvez haja aí uma confusão entre epistemologia e ontologia. Em segundo lugar, um discurso sobre o conhecimento ou +
22.01.2026 15:25 — 👍 4 🔁 0 💬 1 📌 0humano e não humano por meio da violência colonial. Ao contrário disso, as múltiplas cosmologias relacionais afrodiaspóricas e ameríndias produziram uma resistência bastante concreta ao colonialismo bloqueando o avanço de sua forma de recompor a "teia da vida", como diria Jason Moore. +
22.01.2026 15:25 — 👍 8 🔁 0 💬 1 📌 0Para Bispo, acertadamente, ao meu ver, perspectiva cosmológica (que Barros reduz a religião) e conformação de territórios e paisagens são a mesma coisa. A cosmologia transcendentalista dos colonizadores fortaleceu a monocultura, o escravismo, o racismo e as demais formas de exploração do trabalho +
22.01.2026 15:25 — 👍 9 🔁 0 💬 1 📌 0